04/10/2017 08:49:00

Justiça condena Bolsonaro por 'humilhantes ofensas' a negros e quilombolas

Durante evento no clube Hebraica, no Rio de Janeiro, Bolsonaro fez uso de "expressões injuriosas, preconceituosas e discriminatórias".

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AFP/GETTY IMAGES

Jair Bolsonaro foi condenado pelo Ministério Público Federal do Rio de Janeiro por danos morais a comunidades quilombolas e à população negra.

O deputado federal Jair Bolsonaro foi condenado na última segunda-feira (2) pelo Ministério Público Federal do Rio de Janeiro por danos morais a comunidades quilombolas e à população negra.

O político deverá pagar uma multa de R$ 50 mil reais em consequência de declarações racistas e discriminatórias proferidas em uma palestra na capital carioca.

Em abril deste ano, o político e futuro candidato à presidência foi convidado para um evento no clube Hebraica, na zona sul do Rio de Janeiro. No discurso, ele defendeu que as reservas indígenas e comunidades quilombolas do país fossem extintas.

Bolsonaro afirmou ter ido visitar uma comunidade quilombola. De acordo com ele, "o afrodescendente mais leve lá pesava sete arrobas". E declarou:

Não fazem nada. Eu acho que nem para procriador ele serve mais. Mais de R$ 1 bilhão por ano é gasto com eles.Jair Bolsonaro, em evento no Rio de Janeiro

A palestra na Hebraica do Rio aconteceu depois que o parlamentar teve sua participação cancelada em evento na Hebraica de São Paulo, após protestos de parte da comunidade judaica. No evento do Rio, o deputado também foi recebido com protestos.

Na palestra, Bolsonaro ainda prometeu, caso seja eleito presidente da República em 2018, acabar com demarcações de terras para essas comunidades:

Pode ter certeza de que, se eu chegar lá, não vai ter dinheiro pra ONG (..). Não vai ter um centímetro demarcado para reserva indígena ou para quilombola. Onde tem uma terra indígena, tem uma riqueza embaixo dela. Temos que mudar isso daí

À época o vídeo chegou a viralizar e gerar enorme repercussão nas redes sociais.

Para os procuradores, Bolsonaro fez uso de "expressões injuriosas, preconceituosas e discriminatórias com o claro propósito de ofender, ridicularizar, maltratar e desumanizar as comunidades quilombolas e a população negra".

Na sentença, o MP argumenta que Bolsonaro não está acobertado pela liberdade de expressão, pois ultrapassa "qualquer limite constitucional, ofendendo a honra e a dignidade das pessoas."

A juíza Frana Elizabeth Mendes, da 26ª Vara Federal do Rio de Janeiro, foi a responsável pela decisão. A magistrada afirma que está "evidenciada a total inadequação da postura e conduta praticada pelo réu".

Jair Bolsonaro pode recorrer da decisão. De acordo com o G1, o valor pago pelo político deverá ser revertido em favor do Fundo Federal de Defesa dos Direitos Difusos

Fonte: huffpostbrasil