11/01/2018 16:25:00

Estado tem maior plantio em desacordo

Dentro do bioma Amazônia, a maioria da soja é cultivada em 89 municípios, distribuídos em sete estados, a maior parte em MT
Estado tem maior plantio em desacordo Reprodução

Relatório do monitoramento por imagens de satélite do plantio de soja no bioma Amazônia referente à safra 2016-2017 aponta que 98,8% dos desflorestamentos na região não estão associados à produção da oleaginosa. Porém, entre sete estados brasileiros, Mato Grosso tem a maior participação na produção do grão em áreas em desacordo com a “Moratória da Soja”, declarada há 11 anos. 

O levantamento foi divulgado, ontem, pelo Ministério do Meio Ambiente e o Grupo de Trabalho da Soja (GTS). De acordo com os dados, a área de soja responde por 1,2% do território desmatado no bioma como um todo. Mas, isso apesar da área cultivada ter triplicado, passando de 1,14 milhão de ha, na safra 2006/07, para 4,48 milhões de ha na safra 2016/17, o que corresponde a 13% do território nacional ocupado com o grão. 

O relatório aponta que se levando em consideração apenas a porção do bioma em que é cultivada, a soja responde por 5,6% da área derrubada. Para o Grupo de Trabalho da Soja, esses índices indicam que 94,6% dos desflorestamentos ocorridos no período da “Moratória da Soja” estão associados a outros usos da terra, levando em conta apenas a área avaliada. 

De acordo com o levantamento, dentro do bioma, a maioria da soja (97%) é cultivada em 89 municípios, distribuídos em sete estados. Dois terços ou 59 estão localizados em Mato Grosso, 13 no Pará, oito em Rondônia, três em Roraima, dois no Amapá, três no Maranhão e um no Tocantins. Os 3% restantes da área de soja estão distribuídos em outras 83 cidades. O trabalho mapeou propriedades rurais particulares com pelo menos 5.000 ha de soja. 

A pesquisa revela que, de 2009 a 2016, foram desmatados 839.381 ha nos municípios monitorados, dos quais 47.365 foram convertidos para soja. No Estado, o plantio em desacordo com a moratória atingiu 36,1 mil hectares (76,3%), seguido do Pará, com 7,4 mil ha (15,7%), do Maranhão, com 2,2 mil ha (4,7%) e de Rondônia, com 1,6 mil ha (3,4%). 

Entre os municípios mato-grossenses com plantio em desacordo com a medida estão Nova Maringá, onde a área desflorestada foi de 9.330 ha, dos quais 47,4% para soja, Feliz Natal com 31.720 hectares (19,5% para soja) e Ipiranga do Norte, onde foram 6.190 ha (25,7% para o grão). Tais plantios foram mapeados a partir de dados disponibilizados pelo Prodes do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). 

O GTS avalia ainda que o resultado de 1,2% da área de soja em desacordo com a moratória mostra que a oleaginosa tem se expandido essencialmente sobre áreas de pastagens oriundas de desflorestamentos anteriores ao pacto de desmatamento zero. “Isso revela a eficácia dessa iniciativa no sentido de permitir o desenvolvimento da produção de alimentos sem estimular a conversão de floresta em sojicultora”, menciona o relatório. 

Porém, o Ministério do Meio Ambiente garante que apesar dos números favoráveis, o monitoramento continuará a ser realizado para proporcionar transparência ao mercado e mostrar que a soja não contribuiu para novos desmatamentos no bioma. 

O GTS reúne representantes da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), da sociedade civil, com o Greenpeace e WWF Brasil, Banco do Brasil, além do MMA. 

Fonte: Diário de Cuiabá